Gato escondido com rabo de fora

Archive for Outubro, 2007

In Rainbows

Posted by Carlos Vaz em Outubro 17, 2007

Desde a semana passada, é possível obter através da Internet o novo álbum dos Radiohead.

Nada de extraordinário, uma vez que o download de conteúdos multimédia é algo de banal. No entanto, este álbum dos Radiohead é lançado na rede alguns meses antes do seu lançamento oficial, e tal é feito de forma ilegal: é a própria banda, numa estratégia de marketing, que o disponibiliza para download.

E quanto temos de pagar por isso? Nada, se assim o desejarmos. Após o processo de registo, somos confrontados com a opção de escolhermos o valor a pagar pelo trabalho. E podemos não pagar nada…

Poderá parecer estranho, quando a indústria da música se insurge constantemente contra o download (ilegal/”gratuito”) através da Internet. Poderá não parecer tão estranho quando nos recordamos de campanhas semelhantes, como a de Prince, que ofereceu o seu último álbum juntamente com um jornal britânico. Como consequência, conseguiu agendar 21 concertos seguidos (!!!) em Londres. Ou os The Smashing Pumpkins, com Machina II/The Friends & Enemies of Modern Music, de 2000, disponibilizado pela banda gratuitamente na Internet.

Para ir até ao sítio de In rainbows, clicar na imagem.

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Da janela do meu quarto…

Posted by Carlos Vaz em Outubro 17, 2007

Le Chat

Viens, mon beau chat, sur mon coeur amoureux;
Retiens les griffes de ta patte,
Et laisse-moi plonger dans tes beaux yeux,
Mêlés de métal et d’agate.

Lorsque mes doigts caressent à loisir
Ta tête et ton dos élastique,
Et que ma main s’enivre du plaisir
De palper ton corps électrique,

Je vois ma femme en esprit. Son regard,
Comme le tien, aimable bête
Profond et froid, coupe et fend comme un dard,

Et, des pieds jusques à la tête,
Un air subtil, un dangereux parfum
Nagent autour de son corps brun.

Charles Baudelaire

O Gato

Lindo gato, vem cá, vem ao meu colo;
Encolhe as unhas dessa pata,
E deixa que eu mergulhe nos teus olhos,
Um misto de metal e ágata.

Quando os meus dedos, à vontade, afagam
O dorso elástico, a cabeça,
E a mão se me inebria de prazer
No corpo eléctrico, a apalpá-lo,

Vejo a minha mulher. O seu olhar,
Tal como o teu, querido animal,
Frio e profundo, fende-nos qual dardo,

E da cabeça até aos pés
Um ar subtil, um perfume perigoso
Nadam em torno do seu corpo.

Charles Baudelaire
In “Assinar a Pele (antologia de poesia contemporânea sobre gatos)
Ed. Assírio Alvim

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